Zuzana Fuksová De vez em quando compro uma estatueta de macaquinho

Sobre colecionar arte de amigos, bonecas mórbidas e macacos com traje de nobre

Zuzana Fuksová: De vez em quando compro uma estatueta de macaquinho | ArtGraduates Magazine

Zuzana Fuksová (*1983) é performer, apresentadora e escritora e, junto com Ivana Veselková, faz o podcast Buchty na Radio Wave. Na série temática Buchty o umču, mergulha regularmente no mundo das artes visuais. Na vida particular, coleciona obras, embora – como ela mesma diz – “colecionar” talvez seja uma palavra forte demais. Conversamos sobre as alegrias do colecionismo discreto, bonecas mórbidas e macacos com traje de nobre. Embora no dia a dia nos tratemos de forma informal, para esta entrevista adotamos um tom mais formal.

No podcast Buchty, com Ivana Veselková, vocês tratam de uma variedade enorme de temas – de entrevistas com convidados à literatura na série Buchty čtou e às artes visuais em Buchty o umču. Mas você também coleciona arte na vida particular. Como foi que chegou ao colecionismo?

Eu diria que colecionar arte é uma palavra forte demais no meu caso, porque pelo menos para mim vem logo à cabeça a imagem de um industrial com uma pinacoteca. De vez em quando compro alguma coisa de amigos ou compro uma estatueta de macaquinho, colecionismo eu não chamaria isso. Mas desde pequena havia muito objeto de arte lá em casa – meu avô, além da profissão, se dedicava às artes, fazia esculturas e desenhava. E meus dois pais se dedicaram à cerâmica como amadores durante toda a nossa infância, então era normal ter estatuetas e quadros por toda parte.

Esse colecionismo caseiro, de “quadros de amigos”, talvez seja um pouco subestimado, mas é justamente por isso que ele nos interessa, ao lado do de grande orçamento – porque vem do coração. Modéstia à parte: você sente que, a cada compra, ajuda um pouco a comunidade de artistas ao redor?

Tenho a impressão de que com isso ajudo principalmente a mim mesma, com certeza não faço por caridade. Mas, de modo geral, gosto de comprar as coisas por perto, seja de artistas, seja de quem presta serviços, isso é claro.

Você lembra da primeira obra que comprou? Por que justamente essa?

Disso eu lembro exatamente. Aos dezessete anos tive meu primeiro emprego de férias, como guia num castelo, e, com o dinheiro que juntei, comprei num brechó a cabeça de uma boneca antiga que eu queria muito na época, de tão mórbida que era.

E lembra do primeiro quadro?

Ah, lembro! Era um Macaco, de um artista da minha idade. Comprei parcelado, depois de ver o quadro numa exposição no café que eu frequentava na época.

Seu pai e seus irmãos trabalham com arte. E você, tem alguma produção própria?

Infelizmente não tenho a menor habilidade manual, então os resultados das minhas tentativas nunca me satisfizeram. Na idade pré-escolar eu desenhava vestidos sem parar, adorava aquilo, depois passou por completo. Hoje não tenho mais nenhuma ambição artística, porque sei que não ficaria satisfeita com a execução das minhas ideias.

Como você escolhe uma obra? O que ela precisa ter para você querer ser dona dela?

Bom, tem que bater o olho e gostar, como se diz. Mas eu não encaro isso como investimento, então critério racional eu não tenho. E também é importante que não seja caro demais, que eu tenha como pagar, né.

Você tem alguma coisa de olho para o caso de o orçamento não ser um problema?

Eu gostaria de ter uma colagem de Jiří Kolář. Ou uma pintura abstrata de Daisy Mrázková – gosto muito dos livros infantis dela, principalmente dos desenhos.

Como você descobre novos artistas? Vai a exposições, acompanha o Instagram ou confia nas indicações de quem está por perto?

Vou a exposições como qualquer outra pessoa, imagino. Mas os quadros que tenho vieram quase todos do círculo de artistas entre conhecidos e amigos. E de vez em quando eu procurava coisas no Aukro, o site tcheco de leilões on-line – linogravuras, por exemplo, ou motivos específicos.

A arte no Aukro ainda faz sucesso? Você já topou com alguma pintura boa por lá?

O Aukro meio que deixou de me interessar. Mas agora vi lá uma estatueta bonita de macaco com traje de nobre – essa eu me proibi de comprar, estatueta junta poeira.

Sua mãe é médica, ou seja, uma profissão com utilidade claramente mensurável. O resto da família está na arte. Você percebe ao redor algum preconceito de que a arte, comparada à medicina, seria algo dispensável?

Não percebo isso. Pelo contrário, acho que durante a covid, por exemplo, ficou claro que a arte é bem necessária para que não fiquemos apenas comendo, dormindo e fazendo cocô. O que, claro, também é uma possibilidade.

E em que ela é enriquecedora especificamente para você?

Essa é uma pergunta difícil. Não tenho isso elaborado intelectualmente, mas olhar para objetos bonitos me acalma.

Quando aparece uma despesa inesperada – digamos, a caldeira quebra – um quadro é algo que dá para transformar em dinheiro rapidamente? Como você vê a arte do ponto de vista da liquidez?

Pois minha caldeira quebrou faz pouco tempo. E como considero aquecimento e gás uma prioridade, alguma arte teve que sair de casa, ainda que a contragosto.

As prioridades eu entendo, claro. Mesmo que a contragosto – é reconfortante quando as obras funcionam como uma reserva de emergência ou uma espécie de cheque especial.

É isso mesmo. Quadro ninguém come.

Você acha que as artes visuais são importantes para a sociedade? Em quê?

Não sei quanto à sociedade, mas para mim com certeza. Mas acho que para a sociedade também. Eu considero arte também a arte aplicada – mesmo quem não vai a exposições gosta de um rótulo bonito de vinho ou de uma capa de livro bem-feita, então, para mim, não dá para dizer que a beleza das artes visuais e das coisas seja dispensável.

O que você acha do apoio estatal aos artistas?

De novo: não sou especialista nisso. Mas eu gostaria que o Estado apoiasse os artistas de modo geral, que existisse um estatuto oficial de artista e que a coisa não fosse tratada como um hobby depois do expediente. É justamente isso que vejo acontecer – a maioria dos artistas, quando não faz parte da ponta comercialmente bem-sucedida do iceberg, é obrigada a ter um emprego que pague as contas e só depois se dedica à criação. E vejo também, entre as pessoas ao redor, que esse trabalho depois do trabalho só se sustenta por um tempo limitado, e com obrigações familiares menos ainda, então muita gente talentosa acaba largando a produção de vez.

O Estatuto do Artista (Status umělce) foi instituído na República Tcheca em julho de 2025 e vamos tratar dele com mais atenção em alguma das próximas entrevistas, com pessoas diretamente afetadas. Não é de espantar que pouca gente saiba dele – até o fim do verão, apenas cerca de 150 artistas o solicitaram, de 1.400 previstos.

Em Buchty o umču, você percorre com a historiadora da arte Marie Šťastná diferentes períodos da história da arte. Esse programa mudou de alguma forma o olhar que você tem sobre o que compra?

Foi uma experiência bonita, mas, como falávamos de arte que eu jamais teria como pagar, isso com certeza não influenciou minhas escolhas. Agora eu reparo mais na proporção áurea dos quadros, quando ela está lá – isso sim!

Viva a proporção áurea! Agradecemos pela entrevista.

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